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Quase centenários

Conheça o catarinense Odilon Martins, atleta de remo mais velho do mundo

A cada remada, seu Odilon acompanhava o nascimento de uma nova capital catarinense

• Atualizado

Redação

Por Redação

Conheça o catarinense Odilon Martins, atleta de remo mais velho do mundo | Foto: Youtube/Reprodução
Conheça o catarinense Odilon Martins, atleta de remo mais velho do mundo | Foto: Youtube/Reprodução

Ainda na contagem regressiva “Os 100 dias para os 100 anos”, o SCC10 resolveu trazer a história do catarinense Odilon Martins, o atleta de remo mais velho do mundo, que moldou a carreira vendo a transformação da quase centenária Ponte Hercílio Luz.

Aos 96 anos, quase 97, o catarinense Odilon Martins carrega as marcas do tempo. No olhar, o brilho e no rosto, sorrisos de quem ainda faz história, sendo o atleta de Remo em atividade, mais velho do mundo.

“Ganhei as provas todas que corri. Depois de Master, eu comecei a viajar. O Brasil ganhava, sul-americano ganhava e mundial também ganhava. Eu ganhei trinta campeonatos mundiais de Remo Master. Prova de esquife e duplo esquife”, disse seu Odilon.

O atleta mais velho do mundo e a Ponte Hercílio Luz

No clube de regatas Aldo Luz, com a Ponte Hercílio Luz ao fundo, que Odilon começou a caminhada no esporte. Isso há 72 anos, em 1954. O Remo segue fazendo parte da vida do seu Odilon desde a juventude e para chegar até aqui, competindo, é muita força de vontade e técnica.

“Muitas pessoas acham que força é que faz o barco andar, não é. É a técnica. A técnica não precisa muita força. E o barco anda bem. Graças a Deus eu aprendi a técnica com Manuel Silveira, que foi campeão brasileiro, sul-americano e remou comigo. Enquanto ele remou comigo, nós estivemos invictos no Brasil, na América do Sul e no Mundial. Ganhamos todos” contou.

Durante todos esses anos, além de conquistas, seu Odilon também vivenciou grandes mudanças, um atleta quase centenário que viu Florianópolis se transformar.

A cada remada, seu Odilon acompanhava o nascimento de uma nova capital catarinense. A ligação entre a Ilha e o Continente não ficou apenas no concreto da ponte, e sim na memória de quem atravessou o tempo com ela.

“Quando cheguei aqui só tinha ponte, que achei maravilhosa, uma ponte linda, e era fácil atravessar para lá e para cá. O movimento era muito pequeno em relação a hoje. Hoje tem movimento até demais. E isso aqui não existia, isso aqui foi tudo aterrado. Com o aterro, os clubes de remos ficaram longe da população. Antes, a população acompanhava o treinamento todo” explica seu Odilon.

Referência

“Eles sabiam ou vão para a baía norte, passar por baixo da ponte, ou vão para a baía sul, ficava longe da ponte. Nós íamos até a base aérea, remando, e voltávamos. Quando era a baía sul, nós íamos para a norte, passando por baixo da ponte. Essa ponte é muita referência para nós” conta o atleta.

Passar na canoa e remar é fácil para o seu Odilon. Parece mais um adolescente. Com força nos braços e nas pernas, ele vai passando o cartão postal de Florianópolis.

“O esporte é saúde, é disposição, é um motivo para você não parar, e as competições. Eu participo do brasileiro, sul-americano e mundial. Este ano nós vamos para a Europa de novo. Primeiro nós vamos ao sul-americano, no Paraguai” disse.

Quase centenários

A Ponte Hercílio Luz completa 100 anos em 2026. E quando questionado se chegaria lá, seu Odilon disse sorrindo: “Não tenho doença nenhuma, graças a Deus. Eu acho que eu chego, mais 3 horas que eu vou”.

De sorriso no rosto e sempre de bom humor, o atleta de remo mais velho do mundo é exemplo. Na memória, as primeiras conquistas e uma trajetória de sucesso, não só pelas medalhas, mas pela vida.

A única diferença de mim para a ponte é que ela foi reformada e eu ainda não” finaliza.

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