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ENTENDA

Cão Orelha: veja linha do tempo dos acontecimentos

Data dos acontecimentos ajuda a entender momentos da investigação

• Atualizado

Sofia Gonzalez

Por Sofia Gonzalez

Foto: divulgação
Foto: divulgação

A morte do cão Orelha, registrada no início de janeiro, segue sendo investigada pela Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC). O caso, que causou comoção e gerou uma série de questionamentos e manifestações nas redes sociais, envolve apuração detalhada de possíveis maus-tratos a animais e a participação de adolescentes, além de outros episódios correlatos ocorridos nos dias seguintes.

Desde que tomou conhecimento formal dos fatos, a PCSC afirma conduzir a investigação com rigor técnico, imparcialidade e análise aprofundada de provas, incluindo imagens de câmeras, depoimentos de testemunhas, laudos periciais e extração de dados de aparelhos telefônicos.

Quem investiga o caso

A apuração está sob responsabilidade dos delegados Renan Balbino, da Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE), e Mardjoli Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal (DPA). O trabalho também é acompanhado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio das Promotorias do Meio Ambiente e da Infância e Juventude.

De acordo com a Polícia Civil, há dois fatos distintos de maus-tratos a animais em investigação:

  • Caso Orelha, ocorrido em 4 de janeiro, no qual não há registro em vídeo da agressão;
  • Caso Caramelo, ocorrido na madrugada de 6 de janeiro, entre 0h e 1h, com imagens que registram momentos antes do crime e o depoimento de uma testemunha.

Em ambos os casos, há suspeita de envolvimento de adolescentes, não necessariamente os mesmos, e as investigações seguem em fases diferentes.

Cronologia dos fatos e da investigação

04/01 – Ocorre o caso envolvendo o cachorro Orelha. Não há imagens da agressão. A investigação aponta possível participação de adolescentes.

06/01 (entre 0h e 1h) – Registro do caso Caramelo, com imagens que mostram momentos antes da agressão e presença de uma testemunha. Há suspeita de envolvimento de outros três adolescentes.

11/01 – Registro de ofensas dirigidas a um porteiro.

11/01, por volta das 3h30 – Invasão de um quiosque e furto de bebidas.

13/01, às 0h30 – Ocorrência de coação contra o porteiro, supostamente praticada pelos pais e um tio de adolescentes envolvidos. O inquérito relacionado a este fato já foi concluído pela Delegacia de Proteção ao Adolescente (DPA), com três indiciamentos.

14/01 – Explosão de uma bomba em uma residência.

16/01 – A Polícia Civil toma conhecimento formal dos fatos e dá início à investigação.

19/01 – Conclusão de um relatório investigativo inicial, após a análise de centenas de horas de imagens.

20/01 – A Polícia Civil solicita a expedição de mandados de busca e apreensão.

23/01, às 17h38 – Expedição de todos os mandados de busca e apreensão.

26/01 – Cumprimento dos mandados na casa de um tio e de dois adolescentes que estavam no Brasil. Também foram realizados interrogatórios de adultos.

27/01 – Indiciamento e remessa ao Fórum do inquérito policial envolvendo adultos, com cerca de 20 pessoas ouvidas. Também foi anexado ao inquérito o laudo de atendimento médico veterinário do cão Orelha.

29/01 – Busca e apreensão de telefones celulares de dois adolescentes que estavam nos Estados Unidos que retornaram ao Brasil pelo aeroporto, além de intimação para que prestassem depoimento.

30/01 – Oitiva dos dois adolescentes que retornaram ao Brasil, novos depoimentos de testemunhas e solicitação de extração de dados dos celulares apreendidos.

Perícias, tecnologia e novas diligências

A investigação inclui a extração e análise de dados de telefones celulares por meio de um software de origem israelense, que subsidia o uso de um sistema francês de análise de dados. Segundo a Polícia Civil, essa tecnologia permite indicar, inclusive, a localização dos suspeitos em diferentes momentos.

Também há apoio do CiberLab da Polícia Civil, que, até o momento, não confirma a existência de desafios de zoosadismo ou grupos organizados em aplicativos ou redes sociais relacionados ao caso.

Além disso, seguem em andamento:

  • análise de novas imagens;
  • oitiva de novas testemunhas;
  • pedidos de perícia;
  • solicitação de laudo de exame de corpo de delito do cão Orelha junto à Polícia Científica.

Os laudos referentes à extração de dados de alguns aparelhos celulares ainda não foram finalizados e, por isso, não constam integralmente no inquérito até o momento.

Adolescente passa de suspeito a testemunha

Em nota oficial, a Polícia Civil informou que um dos adolescentes que teve sua imagem divulgada como suspeito passou a ser considerado testemunha no caso. Segundo a corporação, o jovem não aparece nas imagens analisadas durante a investigação, apesar de ter sido mencionado inicialmente.

Ainda conforme a Polícia Civil, a família apresentou provas de que o adolescente não estava na Praia Brava no período das ocorrências apuradas. Diante disso, ele foi formalmente excluído da condição de suspeito.

Atualização mais recente

A Polícia Civil de Santa Catarina informou que já ouviu um dos adolescentes que ainda faltava ser interrogado no âmbito do inquérito policial, conduzido pela DEACLE da Capital. O outro adolescente deverá ser ouvido em breve. A corporação não divulga datas, horários ou locais das oitivas para não comprometer o andamento das investigações.

Sobre a possibilidade de o crime ter sido motivado por grupos criminosos que utilizariam redes sociais para promover desafios envolvendo maus-tratos a animais, a Polícia Civil afirma que, até o momento, não há indícios que confirmem essa hipótese.

A instituição reforça que a investigação segue em andamento e alerta que a divulgação indevida de informações não confirmadas pode prejudicar o trabalho policial. Novas informações serão divulgadas oficialmente assim que houver possibilidade legal e técnica.

Orientação à população

A Polícia Civil orienta que a população evite a disseminação de notícias falsas e busque informações apenas por canais oficiais ou por veículos de imprensa que atuem com responsabilidade, ética e compromisso com o jornalismo profissional.

O caso segue em apuração e permanece sob acompanhamento do Ministério Público de Santa Catarina.

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