Acordo Mercosul–União Europeia: o que muda na prática para brasileiros e europeus
Tratado histórico promete ampliar exportações, baratear produtos importados e criar o maior mercado de livre comércio do mundo
• Atualizado
Após mais de duas décadas de negociações, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia foi assinado neste sábado (17), no Paraguai, marcando um dos movimentos mais relevantes do comércio internacional nos últimos anos. Agora, a pergunta que fica é: o que muda, na prática, para brasileiros e europeus?
O tratado une dois grandes blocos econômicos e cria uma área de livre comércio com cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB combinado superior a US$ 22 trilhões, segundo dados oficiais. A assinatura foi celebrada por líderes dos países envolvidos como uma defesa do multilateralismo e do comércio baseado em regras, em um cenário global de tensões econômicas e protecionismo.
Quando o acordo começa a valer?
Apesar da assinatura, o acordo ainda não entra em vigor imediatamente. O texto agora precisa passar pelos parlamentos da União Europeia e dos países do Mercosul. No Parlamento Europeu, basta maioria simples, mas o acordo de parceria mais amplo precisa ser ratificado por todos os Estados-membros do bloco europeu.
A expectativa do governo brasileiro é que a parte comercial comece a valer no segundo semestre deste ano, permitindo que a redução de tarifas seja aplicada de forma gradual ao longo dos próximos anos.
O que o Brasil ganha com o acordo?
Na prática, o acordo facilita a exportação de produtos brasileiros para a Europa, reduzindo impostos e ampliando o acesso ao mercado europeu. Hoje, os principais produtos exportados pelo Brasil para a União Europeia incluem:
- Petróleo bruto
- Café
- Soja e farelo de soja
- Minérios (ferro e cobre)
- Celulose
- Sucos de frutas
- Aeronaves
- Carne bovina
Com tarifas menores, a tendência é de mais competitividade, aumento das exportações e geração de empregos em setores estratégicos da economia.
E para o consumidor brasileiro, o que muda?
Um dos efeitos mais perceptíveis para a população está na importação de produtos europeus, que podem ficar mais baratos ao longo do tempo. O acordo prevê a redução gradual do imposto de importação de itens bastante presentes no dia a dia, como:
- Vinho (tarifa de 20% hoje, zerada em até 8 anos)
- Cerveja e bebidas não alcoólicas
- Azeite de oliva
- Queijos europeus, como mozzarella e queijo azul (com cotas)
- Chocolate
- Panettone
- Perfumes
As reduções começam já no primeiro ano de vigência e avançam de forma progressiva, o que significa que os preços não caem de uma vez, mas tendem a diminuir com o tempo.
Impacto também para a Europa
Para os países europeus, o acordo amplia o acesso a matérias-primas e alimentos produzidos no Mercosul, além de abrir espaço para investimentos e parcerias industriais. Líderes europeus destacaram que o tratado fortalece cadeias produtivas e aproxima empresas e consumidores dos dois lados do Atlântico.
Próximos passos
Com o acordo assinado, o desafio agora é político: garantir a aprovação legislativa e preservar o espírito do tratado durante a implementação. Se cumprir o cronograma esperado, o acordo Mercosul–União Europeia pode começar a transformar, já nos próximos meses, o comércio, os preços e as relações econômicas entre os dois blocos.
*Com informações de SBT News.
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