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Melissa Amaral

Mestre e doutoranda pelo PPGEGC/UFSC. Pesquisadora no grupo CoMovI em Empreendedorismo, ESG, Diversidade nas Organizações e Empoderamento da Mulher.

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Mansplainning, Manterrupting, Gaslighting e Bropriating

Você pode não saber o que esses termos significam, mas com certeza já esteve presente em alguma dessas situações.

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Mansplainning, Manterrupting, Gaslighting e Bropriating
Foto: Freepik

Para facilitar o entendimento vamos direto aos 3 exemplos:

  • Num jantar entre amigos, mesa de bar ou numa reunião de negócios é muito comum presenciar essa cena: uma mulher está falando, explicando algum assunto e um homem a interrompe (manterrupting = homem + interrupção). Sem o mínimo pudor ele começa a explicar para a mulher e para os outros o que ela estava tentando dizer (mansplaining = homem + explicação).
  • Um homem faz de tudo para convencer uma mulher que ela está louca (mesmo estando sã), faz ela duvidar de sua sanidade, de seu senso de percepção ou suas memórias, para tirar proveito dela (gaslighting, que também significa manipulação). Pode ocorrer com homens também. O termo vem do filme Gaslight de 1944 onde um homem faz de tudo para que sua mulher ache, e os outros também, que enlouqueceu para ficar com sua fortuna.
  • Quando uma mulher tem uma ideia, mas seu colega homem, se apropria da mesma ideia e leva os créditos por ela (bropriation). Acontece muito em reuniões de negócio.

Não se fala muito a respeito desses 4 termos ou dessas 4 violências contra a mulher, que também podem ocorrer com homens, mas precisamos entender que quanto mais se tocar no assunto mais as pessoas vão se dar conta quando presenciam uma situação, quando fazem isso com alguém ou quando são as vítimas, e assim, quem sabe isso aconteça cada vez menos.

Essas atitudes, são maneiras de calar a voz da mulher, mesmo em assuntos que elas têm dominância.
Isso pode acontecer tanto no ambiente corporativo como na vida pessoal, e tanto o agressor quanto a vítima podem não perceber que isso acontece, normalmente achando que são atitudes inofensivas. Estudiosos como a professora Ítalo-americana Francesca Gino, afirmam que esse tipo de atitude esta ligada aos vieses inconscientes, dos quais todos nos somos vítimas. O viés inconsciente é a lente pela qual processamos informações e tomamos decisões. Quer saber mais sobre vieses inconscientes leia a coluna Recrutamento e seleção para a diversidade e inclusão. Porque o viés inconsciente que todos temos pode prejudicar o resultado da sua empresa.

Para quem acha que isso é bobagem, saiba que pode ter consequências serias na vida da mulher, como insegurança e até mesmo problemas profissionais. Se pensarmos bem, como é possível que a mulher vislumbre subir na carreira ou mesmo sonhar com a igualdade de gênero, se não permitem que ela termine uma frase em uma reunião?

Aquelas que tentam continuar, e se impor, muitas vezes são vistas como prolixas e mandonas. Mas nem tudo está perdido! Mesmo ainda precisando de muitas mudanças culturais e comportamentais, homens tem que entender que devem mudar de postura e as mulheres precisam estar alertas para quando a interrupção, a apropriação de ideias, a
explicação não solicitada e a manipulação psicológica acontecerem, não se deixar intimidar e demonstrar sua total capacidade. Uma última coisa: agora que você já sabe o que são esses 4 termos e como acontecem,
não permita que ninguém faça isso com nenhuma pessoa.

Quer fazer um teste? Acesse o site e baixe o aplicativo que escuta conversas em reuniões de trabalho e conta quantas vezes uma mulher tem a fala interrompida por um homem. Esse aplicativo “Woman Interrupted” foi lançado em 2017 pela agência de publicidade BETC São Paulo.

Referencias: GINO, F. Why Hillary Clinton Gets Interrupted More than Donald Trump.
Harvard Business Review. 2016. Acesso em: 18 de nov. 2021. Disponível em:
https://hbr.org/2016/09/why-hillary-clinton-gets-interrupted-more-than-donald-
trump


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