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João Victor da Silva

Graduado em economia e relações internacionais pela Boston University. É analista de mercado da Orsitec Assessoria Contábil

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João Victor da Silva

Viagens ao espaço demonstram como o empreendedorismo pode transformar a economia e a sociedade

O projeto de ambos os empreendedores reflete o desejo insaciável do homem de alcançar o inimaginável.

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Viagens ao espaço demonstram como o empreendedorismo pode transformar a economia e a sociedade
Foto: Reprodução, Instagram, Richard Branson.

Nas últimas duas semanas, dois dos homens mais ricos do mundo protagonizaram momentos históricos para o turismo espacial. No dia 11 de julho, Richard Branson, dono do Grupo Virgin, realizou o primeiro voo de passageiros ao espaço com a espaçonave de sua empresa Virgin Galatic. Já no dia 20 de julho foi a vez de Jeff Bezos, homem mais rico do mundo, dono da Amazon, voar com mais três pessoas em uma espaçonave autônoma de sua empresa Blue Origin. Apesar dos voos das duas empresas terem durado poucos minutos a um custo substancialmente elevado, trata-se dos primeiros passos para o avanço do turismo espacial.

De certa forma, o projeto de ambos os empreendedores reflete o desejo insaciável do homem de alcançar o inimaginável; superar barreiras, para atender as demandas da população. É verdade que muitas pessoas consideram estas inovações desnecessárias e até irracionais. Afinal de contas, qual seria a necessidade do homem em voar ao espaço por poucos minutos? 

Incialmente, pode parecer que as viagens espaciais estão sendo feitas apenas para inflar o ego e atender os desejos de bilionários. O bilhete leiloado para o primeiro voo da espaçonave da empresa de Jeff Bezos, por exemplo, foi leiloado por US$ 28 milhões (R$ 145 milhões). Já as próximas viagens da Virgin Galatic estão sendo vendidas por US$ 250 mil (R$ 1,3 milhão). Contudo, são as indústrias inovadoras, como a aeroespacial que são responsáveis por renovar a economia e permitir as pessoas experimentar experiências, as quais elas têm muito desejo de realizar. 

Em última instância, o que estamos vendo com a corrida do turismo no espaço é o funcionamento da economia de mercado, na qual os empreendedores buscam atender da melhor forma possível as demandas dos consumidores. No livro A Riqueza da Nações, o pai da economia moderna, Adam Smith, resumiu bem como a economia livre favorece o interesse da sociedade. Para Smith “[…] o mercador ou comerciante, movido apenas pelo seu próprio interesse egoísta, é levado por uma mão invisível a promover algo que nunca fez parte do interesse dele: o bem-estar da sociedade”. Em suma, o que Smith conseguiu enxergar no século XVIII, continua acontecendo hoje.

Com o tempo, tornar-se-á ainda mais claro como estas empresas de turismo aeroespacial irão atender a demanda de seus clientes. Com o avanço tecnológico, a tendência é que essas viagens fiquem cada vez mais baratas e novas utilizações para estas espaçonaves poderão surgir. Afinal de contas, além de oferecer viagens espaciais, as empresas de Branson e Bezos possuem outros objetivos: desde realizar operações de cargas em trajetos curtos a possibilitar o desenvolvimento de assentamentos humanos na lua. 

Similaridade com o advento da aviação

Algo similar aconteceu com o advento da aviação. Incialmente, as aeronaves produzidas por inventores como Santos Dumont e os Irmãos Wright voavam a baixas altitudes e por poucos minutos. O primeiro voo comercial de avião, por exemplo, aconteceu em 1914 entre as cidades de Tampa e São Petersburgo nos Estados Unidos. O voo que durou 23 minutos, atingiu uma altitude máxima de 15 metros e custou US$ 400 (US$ 10.867,84 corrigido pela inflação). Com os anos, os aviões ganharam novas funções, além do transporte de passageiros. Também se passou a transportar carga, combater incêndios, pulverizar lavouras e exercer funções militares. 

Em poucas décadas, os serviços aéreos se popularizaram e criaram um dos setores mais pujantes da economia. Em 2019, a indústria de aviação comercial transportou 4,5 bilhões de passageiros, 57,6 milhões de toneladas de carga, foram entregues 1.234 aeronaves comerciais e as empresas aéreas faturaram US$ 45 bilhões. Tudo isso com um índice de segurança incrível, com apenas três acidentes aéreos a cada um milhão de partidas. Com o avanço da aviação, outros setores da economia se beneficiaram, especialmente o turismo, que gera milhões de empregos ao redor do mundo. 

Além do avanço do turismo, a aviação trouxe outras externalidades positivas para a economia. Com um sistema de transportes e logística mais eficiente, a globalização econômica pôde ser concretizada. Assim, o comércio internacional conseguiu se desenvolver, oferecendo mais bens e serviços a um preço mais baixo para a população ao redor do mundo. 

Assim como no caso da aviação, as externalidades positivas, resultantes do desenvolvimento do turismo aeroespacial também devem surgir. A exploração de novos astros celestes pode auxiliar os cientistas a compreenderem melhor o funcionamento do universo, a aplicação das leis da física e a descoberta de novas substâncias químicas. Além disso, com custos de operações espaciais mais baixos, problemas modernos poderão ser corrigidos, como o excesso de “lixo espacial” presente na órbita da Terra. 

O turismo espacial ainda está nos primeiros estágios de desenvolvimento. Assim, como no caso da aviação, em algumas décadas este setor deve crescer, se popularizar e entregar novas soluções para seus consumidores. Este processo de inovação é essencial para o desenvolvimento econômico mundial. Através do empreendedorismo que inovações surgem, aumentando a produtividade da economia e elevando a satisfação dos consumidores. Foram através de inovações como a como a prensa de Gutenberg, a luz elétrica de Thomas Edison, o Telefone de Graham Bell, e o Computador de John Atanasoff, que a economia pôde se expandir exponencialmente, possibilitando a melhoria do padrão de vida da população. Da mesma forma, as viagens de Branson e Bezzos devem se tornar um marco de como o empreendedorismo revolucionou mais uma vez a economia e a sociedade. 


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