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João Victor da Silva

Graduado em economia e relações internacionais pela Boston Univeristy. É mestrando em relações internacionais na University of Chicago

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João Victor da Silva

Veja quais as lições da pandemia para os formuladores de política pública

Desde 2020, observamos a adoção de medidas que fugiam da completa razoabilidade

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Veja quais as lições da pandemia para os formuladores de política pública
Foto: CDL, divulgação

O pior da pandemia parece ter passado. Devemos andar para frente. No entanto, não podemos esquecer das políticas públicas estapafúrdias implementadas por governadores e prefeitos. Caso contrário, estaremos fadados a cometer os mesmos erros dos últimos três anos.

O chanceler alemão Otto von Bismarck certa vez disse que “existem três tipos de povos: aqueles que aprendem com a experiência alheia, são os povos inteligentes. Aqueles que aprendem de sua própria experiência, são os povos medíocres. E aqueles que não aprendem, são os idiotas”. As palavras do chanceler são ríspidas, mas elas contêm uma mensagem fundamental para a população, burocratas e a classe política: não podemos ficar o tempo todo errando. Esses erros têm impacto direto na vida da população e nas perspectivas de desenvolvimento econômico de um país.

Comecei este artigo com essa citação de Bismarck, pois a pandemia da Covid-19 trouxe à tona a inabilidade da burocracia e classe política brasileira em implementar políticas públicas efetivas para o combate à pandemia. Desde 2020, observamos a adoção de medidas que fugiam da completa razoabilidade: fechamento de escolas, lockdowns indiscriminados, fechamentos de gôndolas de supermercado, prisão de banhistas nas praias, etc. A maioria dos gestores públicos não teve a capacidade de avaliar as medidas mais corretas para suas regiões, além, é claro, de não considerarem os impactos que suas políticas teriam sobre a própria saúde da população. Contudo, a seguinte dúvida continua: qual seria a motivação dos gestores públicos em implementarem medidas insensatas? Minha hipótese é: uma mistura de medo, incapacidade de avaliar estudos científicos e uma predisposição pelo poder autoritário.

Em um artigo publicado recentemente pela revista científica International Journal of Forecasting, três especialistas em estatística aplicada de renomadas instituições acadêmicas dos Estados Unidos e da Austrália, apontaram que as previsões de contágio e mortes pela Covid-19 falharam, e muito. Resultados catastróficos apontados nessas previsões levaram autoridades a adotarem medidas draconianas para tentar conter o avanço do vírus. O problema é que os modelos estatísticos para previsões epidemiológicos são muito vulneráveis a erros. Além disso, eles precisam lidar com a imprecisão dos dados oferecidos pelos governos. Nesse sentido, os autores do artigo alertam que “quando decisões importantes (por exemplo, lockdowns draconianos) são baseadas em previsões, os danos (em termos de saúde, economia e sociedade em geral) e a assimetria dos riscos precisam ser abordados de maneira holística, considerando a totalidade das evidências”. Ou seja, os modelos estatísticos não podem determinar as decisões de política pública. É preciso avaliar todo contexto econômico, social e de saúde para poder se executar políticas públicas exitosas.

Os resultados dessas medidas irresponsáveis já estão sendo experimentados por toda a sociedade. Na educação, o índice de analfabetismo para crianças entre 6 e 7 anos aumentou 65%. Na saúde, por exemplo, o atraso no diagnóstico e tratamento de câncer está aumentando o número de mortes em decorrência da doença. Mundialmente, os casos de ansiedade e depressão cresceram 25% durante a pandemia. Já na economia, estamos sentindo os reflexos do aumento das taxas de inflação, além do aumento da dívida pública que coloca em risco o futuro da estabilidade econômica brasileira. Esses são apenas alguns exemplos dos resultados da política do “fique em casa”.

O fato é que não havia necessidade da implementação de políticas tão radicais para tentar minimizar o impacto da pandemia sobre a sociedade. O próprio estudo citado anteriormente aponta que a maioria das fatalidades pela Covid-19 atingiram idosos e pessoas com comorbidades. O foco deveria ter sido proteger esses grupos. Infelizmente, este não foi o caminho tomado. Interessantemente, em um estudo realizado por três economistas americanos, que avaliaram o resultado de todos os 50 estados americanos durante a pandemia, em termos de saúde, educação e economia, percebeu-se que os estados com melhor desempenho foram estados com menor nível de restrições. Além disso, o estudo mostrou que os maiores níveis de mortalidade pela Covid-19 aconteceram em estados com maiores níveis de obesidade, diabetes e população idosa. Em suma, a proteção dos vulneráveis tem se mostrado a maneira mais efetiva para redução dos números de morte pela Covid-19, sem a necessidade de fechar a economia e violar direitos fundamentais da população.

Reconhecer os erros de política pública, ocorridos durante a pandemia da Covid-19, é um exercício fundamental para evitar que medidas irresponsáveis voltem a ser implementadas. Novas pandemias virão. Por isso precisamos estar preparados para lidar com elas prudentemente. Caso medidas insensatas voltem a ser tomadas, o custo social e econômico pode ser irreversível. O mundo levará anos para pagar as contas da política do “fique em casa”. Infelizmente, no caso do combate à Covid-19, – conforme a classificação de Bismarck – não podemos nos considerar inteligentes. No entanto, devemos pelo menos tentar ser medíocres ao invés de idiotas. Que aprendamos com nossos erros e não voltemos a executá-los!

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