Florianópolis se torna referência mundial em lixo zero
A capital catarinense é a única representante do Brasil e de toda a América Latina na lista
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A cidade de Florianópolis passou a integrar o grupo das 20 cidades Lixo Zero do mundo. A capital catarinense é a única representante do Brasil e de toda a América Latina na lista, ao lado de referências globais como San Francisco.
A iniciativa está vinculada ao ONU-Habitat e destaca cidades comprometidas com a redução da geração de resíduos, reutilização de materiais e fortalecimento da economia circular. A premiação será celebrada oficialmente na próxima segunda-feira (30), durante evento que marca o Dia Internacional Lixo Zero.
Florianópolis avança com metas ambiciosas até 2030
O reconhecimento reforça o compromisso da Prefeitura de Florianópolis em se tornar a primeira capital Lixo Zero do Brasil. Desde 2018, com a implantação do programa municipal e a criação da Lei que estabeleceu metas de reciclar 60% dos resíduos secos e tratar 90% dos resíduos orgânicos até 2030.
Segundo a prefeitura, a política pública vem sendo construída ao longo de décadas, com foco na redução do lixo gerado e na valorização de materiais recicláveis.
História de pioneirismo na reciclagem
Conforme a história da cidade, o caminho até o reconhecimento internacional começou ainda em 1986, com o Programa Beija-Flor, que levou a coleta seletiva a bairros populares e escolas, em uma época em que o tema ainda era pouco discutido no Brasil.
Nos anos seguintes, a iniciativa se expandiu com a criação de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) em toda a cidade, além da instalação de lixeiras específicas em praias. Atualmente, Florianópolis conta com 322 PEVs distribuídos pelo território.
Hoje, segundo a prefeitura, a capital apresenta uma das maiores taxas de reciclagem entre as capitais brasileiras, resultado de ações como compostagem comunitária, coleta porta a porta e reaproveitamento de resíduos.
Compostagem e economia circular ganham destaque
Um dos principais avanços recentes está na ampliação da coleta de resíduos orgânicos, iniciada em 2020 e já presente em diversos bairros. Todo o material recolhido é destinado ao Centro de Valorização de Resíduos (CVR) do Itacorubi, onde é transformado em adubo.
Esse processo abastece o programa Cultiva Floripa, que mantém mais de 150 hortas comunitárias espalhadas pela cidade.
Nos últimos anos, os números mostram evolução significativa, a compostagem saltou de 1.175 toneladas em 2020 para mais de 6 mil toneladas em 2025, a recuperação total de resíduos atingiu 15,5%, mais de 8 mil toneladas de resíduos verdes foram reaproveitadas apenas em 2025.
Impacto ambiental e geração de renda
Além dos benefícios ambientais, a prefeitura afirma que a política de resíduos também tem impacto social. Conforme dados do executivo da capital, cerca de 200 famílias vivem da triagem de recicláveis em Florianópolis.
O vidro, por exemplo, conta com sistema exclusivo de coleta e reaproveitamento, com média de 436 toneladas recicladas por mês, o que representa quase 5 mil toneladas por ano. Todo material corretamente destinado contribui para a redução de emissões, economia de recursos naturais e geração de renda.
Outro pilar importante que a prefeitura destaca é a educação ambiental. Projetos como o “Escola Lixo Zero” já alcançam todas as unidades da rede municipal, com implantação de compostagem em escolas e capacitação de professores. Fora das salas de aula, iniciativas como o Museu do Lixo e o projeto Minhoca na Cabeça incentivam a população a adotar práticas sustentáveis no dia a dia, como a compostagem doméstica.
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